sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
PLANEJAMENTO: Uma projeção para a semana de prática
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DE ENSINO E CURRÍCULO
EDU 02074 - SEMINÁRIO DE DOCÊNCIA:
SABERES E CONSTITUIÇÃO DA DOCÊNCIA - 6 A 10 ANOS OU EJA
Taís
Pereira Flôres
PLANEJAMENTO:
Uma projeção para a semana de prática
Trabalho
apresentado à disciplina EDU 02074 - SEMINÁRIO DE DOCÊNCIA: SABERES E
CONSTITUIÇÃO DA DOCÊNCIA - 6 A 10 ANOS OU EJA
Profas. Sandra
Andrade e Clarisse Traversini
Porto
Alegre
2013
1.
A REFLEXÃO ANTES DA AÇÃO: a observação que antecede, meus
princípios e pensares teóricos.............................................................................3
2.
SEMANA DE PRÁTICA: uma visão do todo............................................8
3.
SEMANA DE PRÁTICA: minúcias.........................................................10
3.1
Segunda-feira.......................................................................................10
3.2
Terça-feira............................................................................................13
3.3
Quarta-feira..........................................................................................15
3.4
Quinta-feira..........................................................................................17
3.5
Sexta-feira............................................................................................20
REFERENCIAS.................................................................................................27
A educação, portanto,
implica uma busca realizada por um sujeito que é o homem. O homem deve ser
sujeito de sua própria educação. Não pode ser objeto dela. Por isso, ninguém
educa ninguém. (FREIRE,
2011)
Situada em um bairro periférico de
São Sebastião do Caí, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Cel. Pedro
Alencastro Guimarães, a única turma de Educação de Jovens e Adultos do
município é composta por sete alunos, com idades variadas entre 14 e 47 anos.
Desses sete alunos, durante a semana de observação, quatro foram frequentes, um
se fez presente na terça feira e dois sequer apareceram.
Na turma de EJA da Escola Alencastro
Guimarães nenhum aluno está em etapa de alfabetização – todos já estão na
denominada “4ª série”, última etapa na turma que deveria ser seriada.
Tendo em vista a turma observada na
qual farei minha prática pedagógica, seu contexto e suas singularidades, além
da minha trajetória enquanto ser humano e professora em formação, tenho como
princípios docente:
-
Organizar uma prática docente e propostas pedagógicas voltadas para uma
educação emancipatória, formadora do pensamento crítico, que rompe com
paradigmas e estereótipos.
-
Proporcionar aos alunos uma aula que esteja de acordo com suas idades, fugindo
do preceito da escola como lugar tão somente da infância.
Na busca de colocar em prática, de
maneira efetiva, meus princípios docentes, levo como fio condutor os pensares a
respeito da sociedade. Ao propor uma semana de prática que tenha como temática as
variações linguísticas, busco a desconstrução de pré conceitos que possam
existir. Não consigo conceber uma sociedade na qual a prática docente não
problematize os conceitos prévios dos alunos... Freire (2011, p. 41) já atenta
a isso: O desenvolvimento de uma consciência crítica que permite ao homem
transformar a realidade se faz cada vez mais urgente.
Ao longo da vida, enquanto filha de
professores, criada entre livros e diálogos sobre Educação e salas de
professores, enquanto estudante pesquisadora no Ensino Médio, que buscou
estudar tópicos pontuais a respeito da educação, e atualmente, enquanto aluna
do Curso de Pedagogia (que massivamente rompeu com aquilo que pensei até
então), desenvolvi e reorganizei ideias, me apropriei, desapropriei e reapropriei
de teorias e conceitos, os quais levarei para minha prática docente.
Dentre aquilo que incorporei e carregarei
para a sala de aula está a visão sobre aprendizagem. Ao pensar a aprendizagem,
ligo-me à teoria piagetiana e faço conexões com as ideias de Vygotsky. Assim
sendo, em linhas gerais, penso nas aprendizagens como consequências das
experiências ativas do sujeito com o mundo externo – Piaget –, somado as
atividades socialmente significativas – Vygotsy (GOWSAMI, 2009).
Mesmo “namorando” com Piaget e Vygotsky, não
me limito nem me filio somente a eles. Trago também a fala de Hernández (2009,
p. 57), quando este diz que “Sabemos que se aprende melhor quando se
contextualiza o que se aprende; quando se descobre o mundo em companhia dos
outros; quando nos damos conta do que aprendemos e compartilhamos isso com os
outros”.
Para pensar a aprendizagem, preciso também
pensar nos seus sujeitos, sem esquecer das suas individualidades e das
características próprias da faixa etária.
Ao entrar na sala de aula, agora não mais
como discente, mas como docente, carrego o desejo de acompanhar os alunos na
exploração de caminhos alternativos, compartilhar com eles a paixão e a dúvida,
apoiá-los nas suas travessias (HERNANDEZ, 2009).
Para conseguir tornar real aquilo que desejo,
vejo como necessário o repensar sobre as práticas escolares, tidas como
corretas e cristalizadas. Afinal, as metodologias, os modos, os pensares foram
feitos pelos adultos para quem? Para eles próprios ou para os alunos?
Também é necessário, para chegar onde almejo,
a práxis: ação – reflexão – ação. Através de registros, do revisar e
pensar sobre meu ponto de partida e de chegada diários, buscarei a constante
melhoria e atualização do meu eu, tendo em vista sempre que não sou apenas uma replicadora
de um plano de aula. Sou educadora.
Permeando a aprendizagem, seus sujeitos e a
docência, o currículo se apresenta. Sobre o currículo, penso que o adulto tem,
em sua essência, o desejo de moldar o ser humano, concebê-lo conforme sua
intencionalidade e, para concretizar isso, usa como ferramenta a educação e
como ambiente propício, a escola. Sacristán (2007, p. 117) nos esclarece: “Com
a educação, se exerce – ou pelo menos assim se acredita – influência sobre o
desenvolvimento e a orientação dos indivíduos e da sociedade”. E mais adiante:
“A educação real ou a desejada são plurais, mas a escola é um aparelho
normatizador” (idem, p. 118).
Temos então a educação que, norteada para
esta ou aquela direção, capitaneadas pela escola, molda o indivíduo conforme a
sua intenção. Esta intenção é o que forma o currículo que, ao longo do seu
desenrolar, vai formando as tramas que vão se urdindo gradativamente e a medida
que avançam podem ser revistos ou reconstruídos.
Mas, nessas tramas que vão se urdindo, temos
aquilo que explicitamente pretendemos. E aquilo que implicitamente construímos,
intencionalmente ou não. Sacristán (idem, p. 119) nos diz que “o texto
explícito é a expressão de uma intenção e do conteúdo”. A educação está eivada
de intencionalidade, e assim sendo, precisa ser pensada, normatizada,
observada, refletida e se necessário, desconstruída para ser reconstruída.
A avaliação é, para tudo, mas em
especial para o processo educativo, parte fundante. Inicio minhas considerações
à respeito da avaliação citando Altimir (2012, p. 17): A avaliação é
fundamental no processo educativo, mas temos de vê-la não como ponto final do
processo, e sim como um ponto intermediário.
Vou ao encontro de Álvarez Mendez
(2005, p. 25), quando este diz que
Para que a
avaliação feita em sala de aula cumpra uma de suas funções básicas, que é a
função formativa, creio que o professor deve avaliar levando em conta aquele
que está aprendendo. Por isso é tão importante que, antes de avaliar, ele se
pergunte a serviço de que e a serviço de quem está a sua avaliação, quem se
beneficia com a avaliação que se faz desses alunos concretos. E se não está a
serviço de quem aprende, o que significa também estar a serviço de quem ensina,
esse exercício de formação e de aprendizagem simplesmente se limitará ao
exercício de controle, ao exercício de poder, dimensões pouco favoráveis à
aprendizagem.
Assim sendo, considerando a avaliação
de vital importância e dada ao decorrer do processo educativo, não terei como
proposta atividades que proponham uma hierarquização de notas, como a prova,
pois esta, como evidência Álvarez Mendez, “[...] desempenha funções que a
distanciam de propósitos de formação e os usos que se fazem dela geralmente se
prestam mais à exclusão e à seleção do que à formação e à integração.” (2003,
p.22). O mesmo autor ainda aponta que “a avaliação deve ser usada sempre para
melhorar, nunca para eliminar, selecionar ou segregar” (ÁLVAREZ MENDEZ, 2005) A
prova, então, na maioria das vezes, não é vista como um instrumento de reflexão
das aprendizagens de cada aluno, mas sim como um resultado, instrumento
“peneira”, segregador.
Não esqueço também que a avaliação
deve servir para a reflexão do professor, sobre o caminho que este propõe e
trilha, para o pensar sobre seus objetivos, linhas de partida e de chegada – a
avaliação não deve e não pode ser feita sobre o aluno, tratando-o como objeto;
ela deve servir para avaliar todos os envolvidos no processo. Alunos e
professores.
Tendo em vista minhas reflexões a
partir da avaliação, como ela é e como deveria ser, pretendo, ao longo da
semana, acompanhar o processo de aprendizagem e construção do conhecimento da
turma, através de troca de ideias, incorporando a avaliação às atividades
normais da sala de aula, observando o percurso realizado pelos alunos e eu, sem
perder de vista meus objetivos para a sala de aula.
Por último, afirmo que “[...] ensinar,
aprender e avaliar não são momentos separados” (ÁLVAREZ MENDEZ, 2005).
2.
SEMANA DE PRÁTICA: uma
visão do todo
-
Conhecer a pluralidade de modos de falas existentes nos diferentes nichos
sociais, a fim de despir-se de pré conceitos existentes a respeito das diversas
falas.
-
Valorizar a si mesmo e a/através da sua fala, independente de extrato social,
geração ou localização geográfica em que se encontra.
Durante a Semana de Prática, alguns
itens percorrerão minha prática docente. A avaliação das aprendizagens por meio
de elaboração de um Diário de Campo, a presença de uma caixa com desafios
matemáticos e piadas, crônicas e textos curtos podem ser destacadas, mesmo sem
estarem listadas nas atividades planejadas.
Em tabela, a síntese das atividades
previstas:
|
Dia da Semana
|
Segunda-feira
|
Terça-feira
|
Quarta-feira
|
Quinta-feira
|
Sexta-feira
|
|
Roteiro das Atividades
|
- Escrita da data
- Motivação prévia: a fala
- Sistematização das hipóteses levantadas e cópia das
mesmas
- Leitura: É fácil aprender Português
- Discussão oral e atividades de sistematização
- Atividades Matemáticas (soma, subtração,
multiplicação e divisão)
- Escrita do Diário de Campo e socialização das
impressões
|
- Escrita da data
- Conversa: As pessoas falam da mesma forma nos
diferentes locais?
- Leitura dos textos “O Cavalo Verde” e “Causo Mineiro”
- Listagem das palavras não conhecidas
- Composição de frases com as palavras não usuais
- Escrita do Diário de Campo e socialização das
impressões
|
- Escrita da data
- Conversa: As pessoas falam sempre da mesma forma?
Jovens e “velhos” falam igual?
- Lista de gírias antigas e atuais
- Marcação das gírias utilizadas no presente e no
passado pelos alunos
- Produção textual: Escrita de um texto de época
- Atividades Matemáticas: multiplicação egípcia
- Escrita do Diário de Campo e socialização das
impressões
|
- Escrita da data
- Conversa: Existe fala errada?
- Leitura: letra da música “Tiro ao Álvaro”
- Audição da música em questão
- Discussão oral e atividades de sistematização
- Correção da produção textual do dia anterior
- Escrita do Diário de Campo e socialização das
impressões
|
- Escrita da data
- Aula de Informática (Professora Específica)
- Conversa: espaços de cada tipo de fala – a fala em
casa é a mesma do local de trabalho/escola?
- Produção textual: Escrita de textos para diferentes
locais, com o mesmo enredo
- Revisão das hipóteses levantadas na segunda feira;
houve alteração do modo de pensar?
- Leitura e socialização das impressões (discentes e
docente) sobre a semana
|
|
Observações
|
|
|
|
|
|
3.1 Segunda-feira
|
PLANO DE TRABALHO DOCENTE
|
|
Data:
04/11/2013
Dia
da Semana: Segunda-feira
|
|
1. CONTEÚDOS
-
Linguagem: variação linguística
-
Matemática: Operações Básicas- soma, subtração, multiplicação, divisão
-
Participação em sala de aula, nas discussões e atividades propostas
|
|
2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Refletir a respeito das diferentes
falas; questionar-se sobre a razão das diferenças entre modos de fala.
-
Reforçar as quatro operações matemáticas básicas, através de exercícios
matemáticos
-
Participar da aula, interagindo com os colegas e a professora, para
elaboração, construção e sistematização do pensamento.
|
|
3. DESCRIÇÃO DECADA UMA DAS ESTRATÉGIAS
DE ENSINO
A data será escrita diariamente no
carro, assim como o roteiro, a fim de antever as atividades que serão
realizadas.
Iniciarei a aula com uma conversa
(motivação prévia), para levantar as hipóteses dos alunos a respeito da fala.
Questões iniciais incitadoras:
·
Para
que serve a fala?
·
Em
que situações a fala é utilizada?
·
As
pessoas falam da mesma forma?
·
Existe
um só jeito de falar?
·
Falamos
sempre igual?
As hipóteses dos alunos levantadas
durante o diálogo serão sistematizadas e escritas no quadro, com cópia no
caderno (as hipóteses serão revistas ao fim da semana).
Depois das hipóteses serem
sistematizadas e copiadas, será entregue aos alunos uma cópia do texto “É
fácil aprender Português”. A partir do texto, será feita a leitura individual
dos alunos; leitura modelo por parte
da professora; discussão oral e sistematização.
“É fácil aprender Português”
Pois é. U
purtuguêis é muinto fáciu di aprendê, purqui é uma língua qui a genti iscrevi
ixatamenti comu si fala. Num é comu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a
genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras. Im purtuguêis não. É
só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mai doida? Num bate nada cum
nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muinto diferenti. Qui bom qui
a minha língua é u purtuguêis. Quem soubé falá sabi iscrevê.
Para a discussão oral, proponho
iniciar com o “gosto”: perguntar se os alunos gostaram do texto, quais suas
percepções a respeito do texto e suas justificativas para tal. Depois,
questionarei sobre a adequação do texto escrito: “Vocês já viram algum texto
escrito dessa forma? Ele parece adequado? O que tem nele que parece
‘diferente’ dos outros textos? Será que é proposital?”
Como atividade de sistematização,
proponho a transcrição deste texto para que fique de acordo com as normas da
escrita. A correção será feita coletivamente: primeiro, com a leitura do
texto reescrito de algum aluno, e a escrita no quadro, que será copiado na
mesma folha em que está o texto original.
Na sequência, serão realizadas
atividades de matemática. Nesta primeira aproximação, seguirei o modelo de
atividades que a professora regente costuma utilizar: lista de exercícios. As
contas envolverão as quatro operações básicas da matemática: soma, subtração,
multiplicação e divisão. As contas de soma e subtração serão com números até
a centena e com transporte (“subir o número” e “pedir emprestado”); as contas
de multiplicação terão o multiplicando de até três dígitos, o multiplicador
de apenas um dígito, contas com multiplicador 0 e 1,
257+125 = ____ 394+353 = ____ 362+249 = ____
560+499 = ____ 751+198 = ____ 540-378 = ____
483-192 = ____ 744-653 = ____ 802-590 = ____
800-798 = ____ 431x5 = ____ 568x7 = ____
384x0 = ____ 143x1 = ____ 624x3 = ____
276x4 = ____ 246:2 = ____ 246:3 = ____
646:2 = ____ 855:5 = ____
Depois das atividades matemáticas, o
Caderno de Campo será apresentado aos alunos como proposta avaliativa; serão
escritas as primeiras impressões e será proposta a socialização das mesmas
(maiores detalhes no item 5)
|
|
4. RECURSOS NECESSÁRIOS
-
Quadro negro e giz
-
Cópias do texto “É fácil aprender Português”
-
Brochura para Diário de Campo
|
|
5. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM (CRITÉRIOS
E INSTRUMENTOS)
Pelo fato da turma contar com somente
sete alunos, a participação nas discussões propostas, assim como a realização
das atividades, são critérios avaliativos dentro do conceito de “participação
em aula”. Pela quantidade de alunos, a observação da participação será
possível.
Aquilo que é pensado pelos alunos (e
também pelas professoras – regente e eu) a respeito da aula será apresentado,
formalmente, através do diário de campo: escrita diária daquilo que foi
refletido durante as três horas de aula, daquilo que tangencia, subjetiva e
importa para os sujeitos da aprendizagem. Os escritos serão utilizados para a
melhoria das aulas seguintes, a partir daquilo que será percebido por mim como
“errado”, diferente da proposição.
Para uma escrita mais estruturada,
proporei alguns tópicos para balizar a escrita dos Diários de Campo: O que
aprendi hoje?, eu já conhecia as atividades realizadas?, o que mais gostei na
aula?, o que não gostei na aula?, alguma coisa poderia ter sido feita de
forma diferente?.
Depois da escrita, proporei a
socialização daquilo que foi escrito. Para tal, farei a leitura dos meus
escritos, além de comentários sobre os ocorridos nas aulas, tendo como base
os conteúdos conceituais e procedimentais, além daquilo que sentirei.
|
3.2 Terça-feira
|
PLANO DE TRABALHO DOCENTE
|
|
Data:
05/11/2013
Dia
da Semana: Terça-feira
|
|
1. CONTEÚDOS
-
Utilização do Dicionário
-
Participação em sala de aula, nas discussões e atividades propostas.
|
|
2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Utilizar o dicionário de forma
adequada, tendo em vista que este é um recurso utilizado largamente ao longo
da vida escolar.
- Participar da aula, interagindo
com os colegas e a professora, para elaboração, construção e sistematização
do pensamento.
|
|
3.
DESCRIÇÃO
DE CADA UMA DAS ESTRATÉGIAS DE ENSINO
Diariamente, será escrita a data no
quadro, assim como o roteiro da aula.
A conversa inicial proporá uma
discussão sobre a fala nos diferentes espaços geográficos: as pessoas falam
da mesma forma nos diferentes lugares? O que será que ocasiona essa
diferença?
A atividade proposta será a partir
de dois textos, de dialetos de diferentes locais: Causo Mineiro e Cavalo
Verde:
O cavalo verde
Luiz Coronel
Joveniano Centeno era flaco de corpo e largo de alardes.
Num cair de tarde de quase janeiro, apeou na venda do Noquinha e foi
molhar a palavra, como era de costume. Pé no cepo, cotovelo na mesa, por lá
foi se ficando numa mais outra.
Quando o lusco-fusco já aquietava os cuscos, colocou a bota fora do
portal e se deparou com o seu cavalo tordilho, pintado de verde. Respirou
fundo e entrou na venda, se plantando embaixo do lampião com pose de
quero-quero.
- Se tem mãe de respeito, quem fez o desaforo que se apresente -
gritou Jovenciano.
Lá do fundo da venda, caminhando devagar como quem trafega atoleiro,
vem vindo o Salustiano, um aspa-torta com dois metros de altura e "uma
feiúra de partir espelho". Vinha limpando as unhas com uma carneadeira
luminosa.
- Pois o matungo na cor dos campos te serve melhor de montaria, seu
maturrango - falou e disse o desabusado.
"Bêbado de susto" e atropelo, Joveniano teve apenas tempo de
aliviar os acontecidos.
- Epa, epa - retrucou. - Eu só vim avisar que a primeira demão já tá
seca!
![]()
Primeiramente, serão feitas as
leituras, individual e modelo. A partir das leituras, será proposta a discussão
oral, a partir das hipóteses levantadas previamente e buscando evoluir nas
aprendizagens. Para a discussão oral, penso nas seguintes questões: Será que
as pessoas com uma fala “bem gaúcha” consegue conversar com alguém que tem a
fala “bem mineira”? Por que? Algum desses termos utilizamos no dia a dia?
Como atividade, proponho a listagem
das palavras não conhecidas ou usuais contidas nos textos, coletivamente, no
quadro; a partir daí, dividir as palavras entre os alunos e solicitar a eles
que busquem nos dicionários (Porto Alegrês e Mineiro)
A partir dos termos “traduzidos”,
será proposto aos alunos que elaborem frases nos cadernos utilizando os
termos antes desconhecidos. Haverá socialização das frases, e diálogo a
partir daquilo que será escrito pelos alunos.
Nos minutos finais, proporei a
escrita e socialização do Diário de Campo, conforme item 5.
|
|
4. RECURSOS NECESSÁRIOS
-
Quadro negro e giz
-Cópias
dos textos “Causo Mineiro” e “Cavalo Verde”
-
Dicionários: Lingua Portuguesa, Porto Alegrês e Mineiro
|
|
5. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM (CRITÉRIOS
E INSTRUMENTOS)
Proponho que a avaliação ocorra da
mesma forma em todos os dias da prática.
Pelo fato da turma contar com
somente sete alunos, a participação nas discussões propostas, assim como a
realização das atividades, são critérios avaliativos dentro do conceito de
“participação em aula”. Pela quantidade de alunos, a observação da
participação será possível.
Aquilo que é pensado pelos alunos (e
também pelas professoras – regente e eu) a respeito da aula será apresentado,
formalmente, através do diário de campo: escrita diária daquilo que foi
refletido durante as três horas de aula, daquilo que tangencia, subjetiva e
importa para os sujeitos da aprendizagem. Os escritos serão utilizados para a
melhoria das aulas seguintes, a partir daquilo que será percebido por mim
como “errado”, diferente da proposição.
Para uma escrita mais estruturada,
proporei alguns tópicos para balizar a escrita dos Diários de Campo: O que
aprendi hoje?, eu já conhecia as atividades realizadas?, o que mais gostei na
aula?, o que não gostei na aula?, alguma coisa poderia ter sido feita de
forma diferente?.
Depois da escrita, proporei a
socialização daquilo que foi escrito. Para tal, farei a leitura dos meus escritos,
além de comentários sobre os ocorridos nas aulas, tendo como base os
conteúdos conceituais e procedimentais, além daquilo que sentirei – e
deixarei em aberto a possibilidade dos alunos fazerem o mesmo.
|
3.3 Quarta-feira
|
PLANO DE TRABALHO DOCENTE
|
|
Data:
06/11/2013
Dia
da Semana: Quarta-feira
|
|
1. CONTEÚDOS
- Linguagem: variações linguísticas
- dialetos geracionais
- Matemática: multiplicação egípcia
- Participação em sala de aula, nas
discussões e atividades propostas
|
|
2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Perceber a organicidade da língua:
algo mutável, não fixo.
- Conhecer uma nova forma de
multiplicação, para suprir possíveis necessidades existentes sobre esse
conteúdo matemático
- Participar da aula, interagindo
com os colegas e a professora, para elaboração, construção e sistematização
do pensamento.
|
|
3. DESCRIÇÃO DE CADA UMA DAS
ESTRATÉGIAS DE ENSINO
A aula, como me proponho para todos
os dias, iniciará com a escrita da data e roteiro no quadro, e cópia dos
mesmos no caderno.
A conversa inicial tensionará a fala
pela passagem do tempo: falamos da mesma forma do que falávamos há cinco
anos? Pessoas mais velhas falam da mesma forma que pessoas mais novas? As
gírias que eram usadas há alguns anos se mantém em uso? Onde vemos essas
diferentes gírias?
As atividades iniciarão com a
entrega de duas listas de gírias: uma com gírias “antigas” e outras com
gírias “atuais”. Depois da leitura das listas, solicitarei aos alunos que
marquem com uma cor em ambas as listas gírias que usam atualmente; com outra
cor, marquem as gírias que já usaram em algum outro momento da vida. Será
feita a socialização das marcações: quem falava cada gíria em um tempo que
não o presente, quem fala cada gíria agora...
A atividade de sistematização se
dará através da elaboração de um texto narrativo como se estivesse no
passado, utilizando a lista de gírias antigas para enriquecer o vocabulário.
A correção do texto se dará, em um primeiro momento, pela professora em outro
momento que não de sala de aula, e será proposto que se passe a limpo – em
outra aula, outro momento.
Na sequência, será apresentado aos
alunos um novo modo de multiplicar: a multiplicação egípcia. Escolho
apresentar um novo tipo de fazer um cálculo já conhecido com o intuito de
demonstrar que o registro matemático é algo histórico e socialmente
construído – em um tempo e local diferente, a matemática era “processada” de
forma diferente daquela que temos no ocidente, no presente tempo.
A multiplicação egípcia se dá
através de comparação entre colunas de dobros: em uma das colunas, a listagem
de dobro da base 1 (1, 2, 4,8, 16,32...); na outra coluna, a listagem dos
dobros de um dos termos do cálculo. Tomando como exemplo o cálculo 15x11, pegando como termo a ser
dobrado o 15:
1
- 15
2
- 30
4
- 60
8
- 120
16
- 240
Soma-se os números da coluna de base
1 até que forme o outro termo do cálculo. 8 + 2 + 1 forma 11; comparando os
números que correspondem na coluna da base 15 os números dessa soma, temos
15, 30 e 120. 15+30+120 = 165, que é a resposta da multiplicação inicial.
Proporei aos alunos que utilizem,
como exercício, os cálculos passados na segunda feira. Além daqueles,
proponho também:
213x7 = ____ 45x20 = ____ 69x2 = ____
349x5 = ____ 71x34 = ____ 361x4 = ____
Os últimos minutos da aula serão
dispostos para a escrita do Diário de Campo.
|
|
4. RECURSOS NECESSÁRIOS
-
Quadro negro e giz
-
Cópias das listas de gírias
|
|
5. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM (CRITÉRIOS
E INSTRUMENTOS)
Pelo fato da turma contar com
somente sete alunos, a participação nas discussões propostas, assim como a
realização das atividades, são critérios avaliativos dentro do conceito de
“participação em aula”. Pela quantidade de alunos, a observação da
participação será possível.
Aquilo que é pensado pelos alunos (e
também pelas professoras – regente e eu) a respeito da aula será apresentado,
formalmente, através do diário de campo: escrita diária daquilo que foi
refletido durante as três horas de aula, daquilo que tangencia, subjetiva e
importa para os sujeitos da aprendizagem. Os escritos serão utilizados para a
melhoria das aulas seguintes, a partir daquilo que será percebido por mim
como “errado”, diferente da proposição.
Para uma escrita mais estruturada,
proporei alguns tópicos para balizar a escrita dos Diários de Campo: O que
aprendi hoje?, eu já conhecia as atividades realizadas?, o que mais gostei na
aula?, o que não gostei na aula?, alguma coisa poderia ter sido feita de
forma diferente?.
Depois
da escrita, proporei a socialização daquilo que foi escrito. Para tal, farei
a leitura dos meus escritos, além de comentários sobre os ocorridos nas
aulas, tendo como base os conteúdos conceituais e procedimentais, além
daquilo que sentirei – e deixarei em aberto a possibilidade dos alunos
fazerem o mesmo.
|
3.4 Quinta-feira
|
PLANO DE TRABALHO DOCENTE
|
|
Data:
07/11/2013
Dia
da Semana: Quinta-feira
|
|
1. CONTEÚDOS
-
Linguagem: variação linguística – dialeto de classe social
-
Participação em sala de aula, nas discussões e atividades propostas
|
|
2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Perceber a adequação e inadequação
dos modos de fala de acordo com os diferentes espaços, para desconstruir o
pré conceito existente a respeito das falas que fogem da norma formal.
- Participar da aula, interagindo
com os colegas e a professora, para elaboração, construção e sistematização
do pensamento.
|
|
3. DESCRIÇÃO DE CADA UMA DAS
ESTRATÉGIAS DE ENSINO
Conversa Inicial: Iniciar com a
frase “Hoje de manhã eu vesti uma brusa, tomei meu iorgute, peguei meu
cardeno e vim pra escola”. Questões disparate:
- O que percebem nesta frase que foi
falada por alguém?
- Quem poderia ter dito esta frase? Onde?
A partir daí, mostrar a
possibilidade de uso de palavras tidas como “erradas” em determinados
contextos, como a arte ou as conversas informais.
Entregarei a letra da música “Tiro
ao Álvaro” de Adoniran Barbosa para leitura individual. Como leitura modelo,
será ouvida a interpretação da Elis Regina.
Discussão Oral: Iniciar com a
pergunta: “Vocês encontraram alguma palavra ‘errada’?” Explicar que essas
palavras, esses modos de falar, nós chamamos de Variações da Língua e que
eles estão nas nossas falas cotidianamente. Reforçar que não há errado ou
certo, mas sim uso adequado e o inadequado, dependendo do lugar em que se
fala.
Como atividade de sistematização,
proporei que, depois da discussão sobre as palavras ditas diferentemente da
escrita, trabalhalhem com as palavras não conhecidas:
- Circular as palavras/termos que
não são conhecidas previamente;
- Buscar no dicionário os significados
das palavras;
- Elaborar frases com essas
palavras, antes não conhecidas;
- Reescrever as frases com sinônimos
já conhecidos.
Depois das atividades, será proposta
a correção (passar a limpo) do texto do dia anterior, e socialização dos
textos já finalizados.
Ao fim da aula, será proposto aos
alunos que escrevam em seus diários de campo e socializem seus escritos.
|
|
4. RECURSOS NECESSÁRIOS
-
Quadro negro e giz
-
Cópias da letra da música “Tiro ao Álvaro”, de Adoniran Barbosa
-
Rádio
-
CD com a música em questão
|
|
5. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM (CRITÉRIOS
E INSTRUMENTOS)
Proponho que a avaliação ocorra da
mesma forma em todos os dias da prática.
Pelo fato da turma contar com
somente sete alunos, a participação nas discussões propostas, assim como a
realização das atividades, são critérios avaliativos dentro do conceito de
“participação em aula”. Pela quantidade de alunos, a observação da
participação será possível.
Aquilo que é pensado pelos alunos (e
também pelas professoras – regente e eu) a respeito da aula será apresentado,
formalmente, através do diário de campo: escrita diária daquilo que foi
refletido durante as três horas de aula, daquilo que tangencia, subjetiva e
importa para os sujeitos da aprendizagem. Os escritos serão utilizados para a
melhoria das aulas seguintes, a partir daquilo que será percebido por mim
como “errado”, diferente da proposição.
Para uma escrita mais estruturada,
proporei alguns tópicos para balizar a escrita dos Diários de Campo: O que
aprendi hoje?, eu já conhecia as atividades realizadas?, o que mais gostei na
aula?, o que não gostei na aula?, alguma coisa poderia ter sido feita de
forma diferente?.
Depois da escrita, proporei a
socialização daquilo que foi escrito. Para tal, farei a leitura dos meus
escritos, além de comentários sobre os ocorridos nas aulas, tendo como base
os conteúdos conceituais e procedimentais, além daquilo que sentirei – e
deixarei em aberto a possibilidade dos alunos fazerem o mesmo.
|
3.5 Sexta-feira
|
PLANO DE TRABALHO DOCENTE
|
|
Data:
08/11/2013
Dia
da Semana: Sexta-feira
|
|
1. CONTEÚDOS
-
Revisão das hipóteses levantadas no início da semana
-
Participação em sala de aula, nas discussões e atividades propostas
|
|
2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
-
Revisar hipóteses geradas no início da semana, a fim de perceber a
transformação do pensamento
-
Participar da aula, interagindo com os colegas e a professora, para
elaboração, construção e sistematização do pensamento.
|
|
3. DESCRIÇÃO DE CADA UMA DAS ESTRATÉGIAS
DE ENSINO
Já com a data no quadro e depois da
aula especializada de Informática, a última conversa inicial será a respeito
dos locais e das adequações de fala de acordo com cada espaço social. Os
questionamentos tensionarão o “erro” de fala, e buscarão a alteração deste
conceito para “inadequação”.
A atividade relacionada com a
discussão oral feita depois da aula de Informática e com tudo aquilo que foi
trabalhado ao longo da semana será a elaboração de dois textos diferentes,
porém com o mesmo enredo: um texto coloquial, em forma de transcrição de
diálogo, e um texto seguindo as normas formais da escrita.
Será proposta a socialização dos
textos, por leitura oral dos mesmos.
As duas últimas atividades da semana
serão avaliativas: uma de revisão das hipóteses levantadas na segunda feira,
e outra de socialização das impressões tidas ao longo da semana de prática.
Prezo pela devolução aos alunos das impressões das professoras, e das
aprendizagens que terei durante a semana, para não consolidar a imagem de professor
em diferente patamar.
|
|
4. RECURSOS NECESSÁRIOS
-
Quadro negro e giz
|
|
5. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM (CRITÉRIOS
E INSTRUMENTOS)
Pelo fato da turma contar com
somente sete alunos, a participação nas discussões propostas, assim como a
realização das atividades, são critérios avaliativos dentro do conceito de
“participação em aula”. Pela quantidade de alunos, a observação da
participação será possível.
Aquilo que é pensado pelos alunos (e
também pelas professoras – regente e eu) a respeito da aula será apresentado,
formalmente, através do diário de campo: escrita diária daquilo que foi
refletido durante as três horas de aula, daquilo que tangencia, subjetiva e
importa para os sujeitos da aprendizagem. Os escritos serão utilizados para a
melhoria das aulas seguintes, a partir daquilo que será percebido por mim
como “errado”, diferente da proposição.
Por ser o último dia da semana
proporei que a escrita seja em duas etapas: a respeito do dia em questão e
uma síntese das aprendizagens da semana. Terei como baliza para a escrita os
mesmos tópicos dos outros dias: O que aprendi hoje?, eu já conhecia as
atividades realizadas?, o que mais gostei na aula?, o que não gostei na
aula?, alguma coisa poderia ter sido feita de forma diferente?.
Depois da escrita, proporei a
socialização daquilo que foi escrito. Para tal, farei a leitura dos meus
escritos, além de comentários sobre os ocorridos nas aulas, tendo como base
os conteúdos conceituais e procedimentais, além daquilo que sentirei – e
deixarei em aberto a possibilidade dos alunos fazerem o mesmo.
|
REFERENCIAS
ALVAREZ MENDEZ, Juan Manuel. A avaliação em uma prática crítica. IN: Revista Pátio. Porto Alegre: n. 27, p.21-24. ago/out. 2003.
ALVAREZ MENDEZ, Juan Manuel. Entrevista. IN: Revista Pátio. Porto Alegre: n. 34. p. 24-27. mai/jul. 2005.
FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. São Paulo: Paz e Terra, 2011.
GOWSAMI, Usha. Teorias do
desenvolvimento cognitivo. IN: Revista Pátio.
Porto Alegre: n. 49. p. 60-63, fev/abr. 2009.
HERNANDEZ, Fernando.
Mosaico. IN: Revista Pátio. Porto
Alegre: n. 49. p. 56-59, fev/abr. 2009.
Assinar:
Comentários (Atom)






